“Sempre que se falou de reforma administrativa de 2017 a 2022, houve um viés fiscalista, reducionista e privatista”, adverte Marques em ato contra a Reforma Administrativa
Durante evento, presidente do Unacon Sindical criticou ausência de diálogo efetivo com entidades representativas e alertou para os riscos de retrocessos no serviço público
O presidente do Unacon Sindical, Rudinei Marques, participou nesta quarta-feira, 9 de julho, do ato virtual “Dia Nacional em Defesa do Serviço Público”, promovido pelo Fórum das Carreiras de Estado (Fonacate). A mobilização ocorre em um momento decisivo, diante da expectativa de que o Grupo de Trabalho da Reforma Administrativa, coordenado pelo deputado federal Pedro Paulo (PSD/RJ), apresente um relatório com propostas que impactem diretamente a estrutura e o funcionamento do serviço público.
Durante a transmissão, Marques resgatou a intensa mobilização das entidades contra a PEC 32/2020 e destacou a importância da coesão entre os servidores na luta contra medidas que ameaçam o caráter público e universal dos serviços oferecidos à população. “Estivemos juntos na linha de frente contra uma proposta que prestava um verdadeiro desserviço ao país. Essa resistência gerou uma unidade que permanece viva e necessária neste novo momento de enfrentamento”, afirmou.
Para o presidente, o atual processo conduzido na Câmara tem se mostrado excludente e parcial. “Participei de audiência pública do Grupo de Trabalho, mas tivemos apenas três minutos de fala. Enquanto isso, representantes do mercado e do setor financeiro não apenas tiveram mais tempo, como vêm orientando o conteúdo do relatório. O mínimo que se espera é um debate com equilíbrio e transparência”, questionou.
Segundo Rudinei, a ausência de representantes das entidades de classe no processo é um grave sinal de que a reforma pode repetir os mesmos erros da PEC 32. “Somos quase 12 milhões de servidores públicos, conhecemos a realidade da prestação de serviços no Brasil, e ainda assim ficamos de fora da construção do texto. Por quê? Por que convidar apenas representantes do comércio, da indústria e do mercado financeiro e ignorar quem executa as políticas públicas?”, criticou.
O presidente do Unacon alertou ainda para os interesses econômicos que frequentemente motivam reformas do tipo. “Muitas vezes, o que orienta essas propostas é o apetite de segmentos de mercado por fatias imensas de serviços em áreas como saúde e educação. Em vez de aprimorar o que já temos, tentam desmontar aquilo que serve à população de forma universal e gratuita.”
Marques concluiu reforçando o papel das entidades como linha de defesa da sociedade. “Nós formamos uma muralha de proteção para os brasileiros e brasileiras que dependem do serviço público. Nossa luta é por qualidade, universalidade e gratuidade dos serviços públicos, e valorização dos servidores. Não aceitaremos retrocessos travestidos de modernização.”
O ato completo está disponível no canal do Fonacate no YouTube. Assista abaixo: